Pilares do tempo, de Stephen Jay Gould (Ed. Rocco):
"Não sou um crente. Sou um agnóstico no sentido sábio de T. H. Huxley, que cunhou o termo ao identificar o ceticismo tolerante como a única posição racional porque, na verdade, não há como saber ao certo. Mesmo assim, afastando-me das opiniões de meus pais (e livre, por minha própria criação, das razões de sua rebelião), tenho grande respeito pela religião. O assunto sempre me fascinou, talvez mais do que todos os outros (com poucas exceções, como a evolução, a paleontologia e o beisebol). Grande parte desse fascínio vem do surpreendente paradoxo histórico de que, ao longo da história ocidental, a religião gerou tanto os horrores mais inomináveis quanto os mais comoventes exemplos de bondade humana em face do perigo".
Acho interessante a idéia de que ciência e religião não precisam disputar espaços. A ciência trata do mundo como ele é. A religião diz como ele deveria ser. A ciência descreve. A religião prescreve. A ciência nos mostra como fazer as coisas. A religião nos diz o que fazer com elas. Simples assim.
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Freakonomics, de Steven Levitt (Ed. Campus). A diversão desse economista é estabelecer correlações e causalidades entre fatos inusitadas. Só para vocês terem uma idéia, Levitt mostra que há menos probabilidade de um bandido ser morto no corredor da morte, onde apenas 2% dos condenados são executados por ano, do que em atividade nas gangues, que sofrem 7% de baixas anuais. Ou seja, ao condenar um bandido à morte estamos de certa forma diminuindo as chances dele ser morto. Tem também um estudo polêmico que relaciona legalização do aborto com queda dos índices de criminalidade, sobre o qual ainda não tenho opinião.
E Steve tem um blog: http://www.freakonomics.com/blog.php
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Contos ingleses, de vários autores (Ed. Ediouro). Textos de Wilde, Shaw, Virginia Wolf, Conan Doyle, H. G. Wells, Chesterton, Maugham, Joyce, Huxley, Waugh etc. Traduzidos por Vinicios de Morais, Orígenes Lessa, Marques Rebelo, Sérgio Buarque, Afonso Arinos, Raquel de Queiroz etc. Coordenação: Rubem Braga. Apresentação: Vinicios de Morais.
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Algum desses deve servir pra vocês.
Da existência de Deus:
1. A matemática.
2. A vida.
3. O Sauternes combinar tão bem com foie gras.
4. A Flauta Mágica.
Da não existência de Deus:
1. Mortes sem sentido.
2. Órbitas planetárias elípticas.
3. Pessoas que se dão bem com cachorros.
4. Dar uma topada com o dedinho do pé.
Da superioridade da ciência:
1. O motor a jato.
2. A genética.
3. Anestesia de dentista.
4. Sir Isaac Newton.
Da inferioridade da ciência:
1. O míssel.
2. O nazismo.
3. As catedrais.
4. Bach.
“deve-se proclamar a absoluta necessidade da prudência e da razoabilidade na aplicação de medidas antecipadas de constrição da liberdade.” (Miguel Reale Jr., ex-Ministro da Justiça, sobre a atuação da Polícia Federal, hoje na Folha de S. Paulo)
Tradução para o povão:
Os calça-bege não pode sair por aí metendo todo mundo em cana.
Assunto chato, mas vamos lá. A coisa anda e já dá pra perceber que o PT não só quer que esse escândalo não dê em nada, como tem a esperança de tirar um proveito da história. O proveito, isso é importante ficar claro, será essa reforma política cujo esforço de aprovação muitos andam elogiando. A proposta oficial é desavergonhadamente safada porque:
1. Ao tentar "solucionar" a crise com uma reforma legal, o PT e o Governo tentam criar a ilusão de que essa podridão toda é impessoal, é própria do sistema político e não tem este ou aquele culpado. A manobra traz a tiracolo a já conhecida quedinha brasileira pela impunidade, uma vez que a responsabilidade, tanto civil como penal, é sempre personalíssima. Não dá para condenar o sistema eleitoral como um todo, mas só os seus agentes (partidos ou políticos).
Mal comparando, ao propor uma reforma política o PT e o Governo agem como dois ladrões de bancos que, presos em flagrante, sugerem como "solução para o problema" uma reforma no sistema de segurança da agência. Cara-de-pau.
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2. O financiamento público nem se fale. Estima-se que o PT e o Governo desviaram R$ 1 bilhão dos cofres do país nesse esquema de licitações armadas e doações para o partido. Não por uma coincidência, R$ 1 bilhão é exatamente a cifra que a proposta do Governo quer destinar para o financiamento público de campanhas. A idéia é simples. Ao invés de desviar o dinheiro, o Governo aprovaria a doação pura e simples, legalizando o esquema. Não sei se vocês se lembram, mas o Brasil já teve financiamento público de campanhas e isso não impediu o surgimento de um PC Farias da vida. Financiamento público não resolve patavinas. Na verdade, ele até incentiva a não declaração das doações, na medida em que proíbe a busca de recursos privados para o pagamento dos gastos de campanha. Há propostas, eu sei, que não proíbem de forma absoluta o financiamento privado, mas o limitam até um patamar predeterminado. Nesse caso, a reforma só transformaria o caixa 2 em caixa 3, já que o candidato teria o financiamento público, o privado declarado e o privado não-declarado.
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3. E como o bolão do financiamento público seria dividido? Com base no critério nada isento da representação política (quantidade de votos e/ou assentos no parlamento). Quanto maior o partido, maior o volume de dinheiro arrecadado. E adivinhem qual o partido que, por uma dessas coincidência da vida, mais cresceu nestes últimos anos?
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4. Outro ponto é o sistema eleitoral. Hoje o voto para o legislativo é proporcional de lista semi-aberta e não há fidelidade partidária. O voto proporcional, numa explicação bem grosseira, consiste em dar ao partido o número de cadeiras no Parlamento proporcional à sua votação em todo país. Se o PT recebeu 40% dos votos, terá direito a colocar 40% dos deputados. A lista é semi-aberta porque é o eleitor quem, dentro da legenda, escolhe os deputados que preencherão essas cadeiras. Assim, se 40% do Parlamento significam, digamos, 100 deputados, são os 100 deputados mais votados do PT que as ocuparão.
O que a proposta do Governo e do PT pretende é fechar essa lista. Assim, a população não votaria mais nesse ou naquele candidato, mas apenas na legenda, e ao invés de irem os 100 mais votados seria o partido (leia-se a sua direção) quem decidiria os nomes. Com a lista fechada, os poderes dos Zés (Dirceu e Genoíno) e dos Delúbios seriam exponencialmente aumentados.
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5. Á, sim. E a fidelidade partidária impediria que todos os deputados transferidos para o PT nesses "anos incríveis" de Governo Lula debandassem para outras legendas.
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6. Em resumo, a proposta de reforma política legaliza a roubalheira, dá mais poderes aos ladrões e cria condições para que o PT se perpetue no poder. Se aprovarem, volto para o meu castelo em Sorrento.
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E para ninguém dizer que não faço críticas construtivas, duas sugestões de reformas políticas.
Sugestão 1:
Voto distrital puro, em bases demográficas, para toda e qualquer eleição direta. O voto distrital puro tende ao bi-partidarismo e portanto dispensa fidelidade partidária e cláusula de barreira. Fim do Senado Federal. Parlamentarismo. Financiamento de eleições exclusivamente privado, a ser fiscalizado por um órgão suprapartidário com competência para aplicar penas de inelegibilidade aos infratores. E vergonha na cara.
Sugestão 2:
Criação de dois partidos: os wigs e os balds. Os wigs usariam perucas estilo Mozart e o seu símbolo seria um urso polar. Os balds usariam tamancos holandeses e o seu símbolo seria um dromedário. A Constituição seria substituída pelo livro O Alquimista. As campanhas seriam financiadas exclusivamente por cantores sertanejos e ganha o candidato que colocar a maior quantidade de suecos em fila indiana. Em caso de empate, vence aquele que apresentar a sueca mais peituda.
Se o mundo fosse uma sala de aula, a França seria uma menina gostosa. O Japão seria o 'nerd' da primeira fila. O Irã aquele menino estranho, que fica sozinho no recreio e nunca fala com ninguém. A África seria os filhos da copeira, que só estudam com o auxílio de uma bolsa. A Itália dava um belo gordinho falador e os EUA um riquinho metido a besta.
O Brasil, junto com Cuba e Venezuela, seria da turma do fundão. Toda sala de aula tem a sua turma do fundão. Aqueles alunos que adoram zoar, se acham espertos pra cacete e só tiram nota baixa. De boné pra trás, estilingue na mão e mascando chicletes, o Brasil é um típico "país da turma do fundão".
Como todo mau aluno, é ótimo no futebol, adora uma festa e uma cervejinha (é o segundo bebedor no mundo, segundo me disseram). Mas nunca fez a lição de casa. Não aprende com as aulas da história e por isso sempre comete os mesmos erros. É péssimo em matemática e tenta há décadas, sem sucesso, acertar as contas internas e externas. Na aula de biologia, foi pego colando as patentes de medicamento dos EUA. E no intervalo do recreio tentou colocar uma tachinha Tobin na cadeira da professora.
Uma vergonha esse menino.
Dois amigos no meio de uma conversa.
- Como assim, uma minoria sexual?!
- Isso mesmo. Faço parte de uma minoria sexual oprimida, perseguida e discriminada.
- Você é bicha?
- Não.
- Sodomita?
- Pior.
- Masoquista?
- Esses tão bem. Quanto mais a gente judia, mais eles gostam.
- Necrófilo?
- Tá longe.
- ...?
- Sou polígamo.
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- Então você tem mais de uma mulher.
- Três.
- E tá reclamando.
- Claro. Não existe minoria mais perseguida. Somos ofendidos pelas sogras. Mal tratados pelos filhos. Levamos unhadas e tapas na cara. Apanhamos com panelas e paus de macarrão. Por causa de nossa opção sexual, somos vítimas de uma odiosa discriminação. Nossas roupas são jogadas pela janela, somos expulsos de nossas casas e afastados de nossas famílias. Poligamia dá até prisão. É perseguição política, e das mais cruéis.
- Você está exagerando...
- Então imagine um homem apanhando de pau de macarrão porque teve um caso fora do casamento.
- Normal.
- E se apanhar porque é gay?
- Aí é crime hediondo.
- Viu? Precisamos fazer algo urgente.
E dá um soco na mesa.
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- Nós somos muitos, uma multidão, mas falta organização. Os gays têm sua passeata. Têm uma bandeira e um dia do orgulho próprio. E nós nada. Vivemos envergonhados, reclusos em garçonieres escuras e apertadas, inventando reuniões e congressos internacionais. Isso precisa acabar.
- Organizar uma passeata?!
- Seria um começo. Na Paulista, com a presença de Bill Clinton, Pelé e outras personalidades que simpatizam com o movimento. Usaremos capuzes para proteger nossas identidades. Já inventei até um hino. Ouve. Começa assim: nós, galinhas, sempre unidos ...
- Depois você canta.
- Não gostou?
- Médio.
- Tá bom, tá bom. Mas, confessa, a causa é nobre. As pessoas precisam saber que poligamia não é doença, não é desvio de comportamento ou uma perversão. Um polígamo é alguém normal, que merece respeito e consideração, como você ou sua mulher.
- Melhor tirar a Selminha dessa conversa...
Raio-X flagra Lula com US$ 200.000,00 embaixo de um cinto de castidade. A única chave está com o Eduardo Suplicy, que, em depoimento à Polícia Federal, nega qualquer envolvimento e diz nunca ter espiado pelo buraco da fechadura. É descoberto um novo contrato em que Marcos Valério é avalista do PT, então representado por Aloizio Mercadante. Mercadante, aconselhado por advogados, alega insanidade temporária pelos últimos 30 anos.
O Presidente da República solta nota oficial confirmando que perdeu o controle da situação, a carteira e as chaves do carro. Zé Dirceu, após nova cirurgia plástica, assume a personalidade de Odete Roitman e tenta fugir para Cuba de balsa. Surpreendido por uma corrente marítima neoliberal, acaba desembarcando em Punta del Leste, onde é aguardado por Zé Genoíno e uma mala preta. Algumas horas depois, todos os três são presos pela Polícia local. A única que acaba libertada é a mala preta, sob a alegação de ser vítima de racismo.
Sai a reforma ministerial. Lobão assume o Ministério da Fazenda, dizendo-se o mais adequado para tomar conta das ovelhas. Oscar ‘Bahamas’ Maroni Filho assume a Casa de Tolerância Civil, para acabar com a putaria. José Carlos dos Reis Encina, vulgo Escadinha, vai para o Ministério do Planejamento da Fuga, tentando achar uma saída para a crise. E Marta Suplicy, atendendo a critérios estritamente técnicos, fica com o recém criado Ministério da Proctologia, para cuidar das carências do povo brasileiro.
Gritando o bordão "PT, saudações", a elite dominante e opressora sai às ruas exigindo novas eleições. Lula pede US$ 2 milhões para renunciar. O Congresso fecha em US$ 1 milhão, pagos em três vezes, sem juros, no cartão. Lula renuncia e o Brasil dá o calote na dívida. Severino Cavalcanti assume a Presidência. Deus se irrita com a falta de vergonha e devasta o Brasil com sete pragas.
Como alguém pode conhecer algo se não acredita em nada?
Nesse mundo cheio de gente, há quem sofra de solidão. Eu, coitado, sofro de multidão.