novembro 6, 2003

O que o séc.XX revelou foi a existência de uma nova figura, um ser bifronte com ilimitada capacidade de destruição. O cientista sacerdotal. Junta os meios da física com a fúria da metafísica. Marx era positivista, mas falava como um líder religioso. Jamais cogitou estar errado. Dividia o mundo entre pecadores-burgueses e proletariado-abençoado e apenas aguardava a chegada do dia do juízo final, em que todos os maus seriam tragados pelas entranhas da revolução. Marx teve uma visão na biblioteca do British Museum. Viu que todas as almas, absolutamente todas as almas (menos a dele, é claro), estavam perdidas no umbral da dialética materialista. E viu também o seu caminho da salvação, que, como sempre, se mostrou um inferno à parte.

Posted by Porfirio at novembro 6, 2003 6:30 PM