dezembro 18, 2003

Tostes odeia Marx mas, coitado, erra pelas mesmas razões. Simplificação grosseira da realidade, reductio ad absurdum, tomada da parte pelo todo, histeria. Na minha humilde e correta opinião, esse alarmismo adolescente não ajuda muito. É verdade que existe uma tensão entre Estado e iniciativa privada, mas nada indica que essa tensão vá acabar em ruptura. Se há quem receba benefícios em troca de votos, há também quem financia esses benefícios e que votará em candidatos que tributem menos. Impostos podem ser aumentados até um limite, em que o número de satisfeitos com benesses será inferior ao de insatisfeitos com tributos. Num momento assim, um candidato que defenda a expansão da máquina estatal deixa de ser eleito. Esse ponto ideal não existe em Governos que detém poder vitalício e/ou hereditário e que não dependem da chancela periódica de seu povo. Esses podem aumentar indefinidamente seu poder, sem se preocupar com as opiniões dos súditos deseducados. Castro, Khadafi, Hosni Mubarak, Robert Mugabe, Tito, Suharto são figuras que concordariam com muitas das idéias de Tostes.

Ninguém sério idolatra a democracia. Mas ninguém sério a dispensa. A esquerda brasileira é anacrônica, manquitola, débil, caricata. Infelizmente, parece que a nossa parca direita, por vias opostas, toma o mesmo caminho, o do ridículo absoluto. Pobre de nós.

Posted by Porfirio at dezembro 18, 2003 5:46 PM