janeiro 5, 2004

Banana boat é uma curiosa atividade de lazer em que doze bananas pagam dez reais cada, montam em uma grande banana de borracha inflável e são rebocados por uma lancha marítima em alta velocidade. A graça da coisa está nos tombos que os bananas, como eu, levam. Para diversão hilariante dos que dividiram comigo essa experiência, escorreguei da engenhoca logo no início, tendo no entanto ficado com o pé preso em uma fita de segurança. Enquanto era arrastado por sobre as ondas e jatos de água salgada inundavam meus olhos e narinas, implorei por minha vida e pelo direito a uma morte misericordiosa. Com a banana ainda em movimento, fui finalmente resgatado por minha noiva, que estendeu sua mão no exato momento em que já perdia a consciência.

Não me lembro bem, mas testemunhas dizem que uma sardinha pulou da minha boca quando recebi a massagem cardíaca.

A banana boat é um perigo nacional. Maior que a saúva, que a remessa de lucros das multinacionias, que a dívida externa, que o capital volátil. É uma atividade de extremo risco, sem regulação alguma. Sou a favor da criação de uma agência nacional para o setor, que, segundo fontes secretas me confidenciaram, movimenta milhões por ano. Seria a ANB - Agência Nacional da Banana, ligada ao Ministério da Justiça. Suspeito inclusive que a banana boat é uma atividade de fachada, utilizada para lavagem de dinheiro do narcotráfico. Todos os envolvidos, do piloto da lancha ao cobrador, fumavam maconha, fato que explica a demora inaceitável no meu salvamento. Eu mesmo esqueci no bolso da bermuda cem reais que, após quinze minutos no mar, foram completamente lavados.

A banana boat também vem sendo utilizada para atividades ilícitas internacionais. Com aviões e carros na mira das autoridades, as banana boats viraram a bola da vez para terroristas. Cheia de explosivos plásticos, uma banana de dinamite boat, na carinhosa expressão de Arafat, tem poder de destruição vinte vezes maior que o de um homem bomba, com a vantagem de permitir a participação de doze mártires de uma só vez. Houve até um incidente recentíssimo, importante de se comentar. A notícia não foi veiculada e nenhum jornal brasileiro a deu (apenas o 'Midia sem máscara', se não me engano), mas árabes tentaram explodir a estátua da Liberdade com uma banana boat durante as festividades de ano novo. A tragédia só foi evitada porque a polícia marítima achou estranho o deslocamento de uma banana inflável conduzida por doze árabes de turbantes naquela área, e torpedeou-os antes de consumada a tragédia.

Posted by Porfirio at janeiro 5, 2004 12:45 PM