Sou um obsessivo e volto ao meu único assunto: a falta de uma elite qualificada no país de vocês (já não não é mais meu país; reneguei). O problema dos brasileiros não é a remessa de lucros, os ciclos de monocultura, a saúva, a dívida externa ou o capital volátil. O problema não é a má distribuição de renda, nem acho que é, sinceramente, o Lula. O problema desse país é a falta de uma elite dominante de qualidade. Falta gente usando smoking, bebendo champanhe, ouvindo ópera, comprando quadros. Faltam ricos letrados.
Minha campanha Elite já! é um sonho antigo e, penso eu, o único plano de ação que visa atacar o real problema nacional. Ela busca arrecadar recursos para financiar a formação de uma elite culta e limpinha. Estamos preparando camisetas com vários slogans (e.g. "eu tenho um patrão que lê livros"; "doei dinheiro ao invés de comprar um CD sertanejo") e adesivos automotivos (e.g. "vai estudar vagabundo"; "meu outro carro eu vendi e mandei meus filhos para a Europa"; "aqui só entra PhD"). O dinheiro arrecadado com as vendas vai ser usado para financiar várias ações high-sociais, como cursos de boas maneiras na mesa (módulo básico: falando de boca cheia e a função do guardanapo; módulo avançado: talheres de peixe e taças), distribuição de alta literatura e impressão de folhetos explicativos sobre como escolher, combinar e dar nós em gravatas (four in hand, half Windsor e Windsor). A idéia é atingir primeiro o eixo Rio-São Paulo, começando pelas áreas mais calamitosas como Morumbi, Alpha Ville (SP) e Barra da Tijuca (RJ). Depois a campanha se estenderia por todas as comunidades carentes do Brasil, distribuindo cestas básicas da elite dominante e opressora (vide post de 02 de dezembro). Outro projeto ambicioso é o programa A adega vai até você, em que um ônibus especialmente projetado se deslocaria até os bairros mais necessitados para promover degustações às cegas. Há ainda planos para um trabalho muito bonito com condenados por crimes de colarinho branco. Assistentes socialites visitarão presídios com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, levando CD's do Cole Porter e cópias de um livro de aforismos do Oscar Wilde.
Também aceitamos doações em dinheiro ou bens. Qualquer coisa serve, um pôster de um quadro de Jean-Louis David, uma caneta Cartier, jóias de família etc. Vamos trabalhar juntos e criar uma elite decente para este país. A causa é nobre.
Posted by Porfirio at janeiro 22, 2004 10:18 AM