janeiro 23, 2004

Não sou nenhum Adonis, apesar de já ter feito algum sucesso com o sexo sufrágio (já foi sexo frágil, mas é tanta reivindicação, tanta disposição para dar palpite em tudo, que resolvi mudar o nome). Hoje estou relativamente bem (sairei como destaque na Beija-flor de Nilópolis este ano), mas no passado me sentia decrépito e acabado. Minha condição física era bastante debilitada e por vezes temi pela minha saúde. Não estou exagerando. Para vocês terem uma idéia, cheguei a me contundir gravemente secando o cabelo com uma toalha. Caí no chão com aquela cara de Ronaldo quebrado e rolei sobre o tapetinho até perto do bidê. A toalha recebeu um cartão vermelho e desde então passei a usar secador. Mas esse não foi o fundo do poço. O pior aconteceu quando desloquei uma clavícula me espreguiçando no sofá da sala, o que impôs um dilema: até para ser preguiçoso é preciso algum preparo físico. Diabos.

A solução foi recorrer àquela milenar técnica oriental de exercícios preguiçosos, a yoga. Ou yôga, como me corrige sempre o mestre Mahatma do Nepal Gandhi, um elevado líder espiritual que se refugiou no Brasil atrás de mulatas. A yôga, todos sabem, surgiu na Índia. Foi criada pelos funcionários públicos de Delhi, que não faziam coisa nenhuma o dia todo e, como eu, começaram a se contundir com freqüência. Buscando um equilíbrio perfeito entre a indolência completa e o fazer coisa nenhuma, esses servidores da antiguidade desenvolveram uma seqüência de espreguiçadas que, sem maiores esforços, permitia um relaxamento mais eficaz nos momentos de lazer (ou seja, o dia todo). Além disso, criaram a meditação, uma excelente desculpa para o seu chefe quando ele te pega dormindo durante o expediente. Esses servidores viraram heróis nacionais e a sua cultura foi exportada para o mundo todo, Brasil inclusive e principalmente.

A yôga melhorou muito a minha vida. Além de ter percebido a transitoriedade do homem e a pequenez de nossos problemas diante da beleza do Universo, hoje consigo dançar tcha-tcha-tchá e amarrar os sapatos sozinhos. A prática da yôga também me ensinou a levitar. No inverno, a levitação é muito útil para sair do banho sem pisar no chão molhado e gelado. No verão, quando pratico no quarto, só tenho que tomar cuidado para não esquecer o ventilador de teto ligado, por razões óbvias. Mahatma me disse que, depois do tombo de bicicleta e do atropelamento por elefante, a decapitação por ventiladores de teto é a maior causa de mortes na Índia. E há também o indispensável incenso. Vocês podem achar que é só uma fumacinha fedida para espantar mosquitos, e é mesmo. Antes de usar incenso, minha casa era infestada de pernilongos enlouquecidos por sangue. Depois que iniciei a prática e passei a fazer uso do incenso, todos eles se tornaram vegetarianos e agora só picam os legumes que deixo fora da geladeira.

Vai. Chega disso, Porfirio. E eu que tentei escrever algo sério hoje, sobre Hume e os céticos... Bem, fica pra segunda. Bom fim-de-semana a todos.

Posted by Porfirio at janeiro 23, 2004 5:26 PM