maio 5, 2004

A Rede Globo é uma empresa nascida no berço da classe-média-alta carioca. É uma TV de Ipanema, do Leblon, com atores de teatro fazendo novela, romancistas e cronistas fazendo roteiros, diretores de cinema comandando núcleos de dramaturgia.

Já o SBT é a TV paulistana, do povão. Fundada por um camelô judeu, faz programas para a patuléia, entretém a esculhama, quer agradar ao lúmpem proletariado. Ratinho, Hebe, Gugu, as péssimas novelas mexicanas e os jornais sensacionalistas, que fazem matérias de 5 minutos sobre homicídios na periferia, ou sobre o nascimento de um urso panda no zoológico de Jacarta, estabelecem o patamar intelectual dos programas, que é baixo.

Nos anos 80 o SBT era um lixo. A qualidade técnica e a falta de dinheiro das produções era de doer. Pedro de Lara, Sônia Lima e Sérgio Malandro cambaleavam até a mesa dos jurados de um show de calouros, cujo cenário parecia ser feito de papelão e isopor coberto de cola pritt e lantejoulas. Os filmes eram dos anos 70 e a coisa toda exalava uma vulgaridade ímpar. As nossas faxineiras assistiam ao Domingo da Alegria. Nós, digníssimos membros da classe dominante e opressora, assistíamos ao Jornal Nacional e à novela das 8. O Brasil tinha então duas classes sociais: os globais e os essebetistas. Eu era (e ainda sou) global. A Cícera, minha mucama e ama de leite, era essebetista e, para minha diversão e regozijo, além de tudo gostava de ouvir o Eli Correia no rádio (oiiiiiiiiii, gente!!).

De lá pra cá
Por que o SBT não tinha dinheiro? Vamos lá, Sherlock. Pense. A inflação comia 40% do poder de compra da esculhama, que mal tinha dinheiro para a condução. O salário só dava porque as faxineiras faziam as refeições nas casas dos patrões, em um regime de claras reminiscências escravocratas. O SBT sempre foi feito para essa gente e não fazia sentido alguém comprar espaço publicitário e anunciar produtos para uma horda de miseráveis esfarrapados. O SBT minguava ao lado do povo.

A história toda mudou quando a inflação foi controlada em 94, e a classe baixa ganhou poder de compra. Comparados com uma classe média que via seu crédito achatado por juros de cartão e cheque especial, eles viraram filé. Os anunciantes rapidamente perceberam que seus novos consumidores eram agora os essebetistas e passaram a comprar espaço na banquinha do camelô judeu. Em pouco tempo, o SBT cresceu, novos programas surgiram, com mais dinheiro, mais recursos técnicos, mais pontos de audiência, porém sempre voltados para o gosto do povão: muita bunda, muita violência, muito pagode.

A Globo teve de se adequar ao gosto dos essebetistas para morder um pedacinho da nova torta. O Linha Direta, o Zorra Total e os peladões das novelas das 6 são a nova marca. O Boni, que não gostava da idéia, rodou.

Minha opinião
Minha opinião? A violência e o sexo na TV são o maior legado do Governo FHC. Antes eu reclamava do baixo nível da programação. Isso até ver a nossa Perfeita Biscate, de tailleur Gucci e do alto de seus saltos Prada, defendendo a idéia de uma comissão de burocratas em Brasília para controlar o conteúdo das redes. Aí tudo ficou claro pra mim. Os programas com violência e sexo são uma conquista do povo brasileiro. Talvez a maior conquista desde o fim da escravidão, desde a volta do voto direto. E a Marta, como todo petista assistencialista, que acha o povo estúpido e incapaz até mesmo de escolher um programa de televisão, quer privar os coitados dessa diversão democrática.

A baixaria é a vitória dos excluídos e assim concluo: quanto mais violência e sexo na TV, melhor.

Posted by Porfirio at maio 5, 2004 6:27 PM